Detetive Edson Frazão da Agencia de Detetives 007: Alesp em Pauta debate a Profissão de Detetive Particular e Crimes Cibernético
O programa Alesp em Pauta reuniu Edson Frazão (detetive particular e especialista em crimes cibernéticos) e André Luiz da Silva (secretário-geral do CONDESP) para discutir a realidade, a legislação e os desafios da investigação privada no Brasil.
Principais pontos debatidos:
- Definição e Atuação: O detetive particular atua na esfera privada (civil), diferenciando-se da polícia judiciária. As principais demandas envolvem casos conjugais (infidelidade), busca de pessoas desaparecidas e investigações empresariais (compliance e fraudes).
- Legislação e Regulamentação: O debate destacou a Lei 13.432/2017, que reconhece a profissão, mas ainda carece de um órgão de fiscalização centralizado. André Luiz ressaltou a importância de conselhos como o CONDESP para garantir a idoneidade dos profissionais, já que muitos cursos de formação são “livres” e sem exigências rigorosas.
- Crimes Cibernéticos e Tecnologia: Edson Frazão explicou como a tecnologia é essencial na investigação moderna, auxiliando na abertura de dispositivos eletrônicos e análise de dados telemáticos para solucionar desaparecimentos ou identificar espionagem ilegal (como o uso de “espiões de celular”).
- Relação com a Polícia: Embora a lei permita a colaboração do detetive em investigações policiais (com anuência do delegado), na prática, essa integração ainda é rara e enfrenta barreiras burocráticas e preconceitos institucionais.
- Desafios da Categoria: Os convidados apontaram o estigma da profissão, muitas vezes rotulada apenas como “especialista em adultério“, e a dificuldade de lidar com a desconfiança do público e de autoridades durante o trabalho de campo.
- Marcos Institucionais: Foi celebrada a Lei Estadual 17.731/2023, que oficializou o dia 11 de abril como o Dia do Detetive Particular em São Paulo, data que remete à sanção da norma federal de regência da classe.
Participantes:
- Edson Frazão: Detetive da Agência 007 e especialista em crimes cibernéticos.
- André Luiz da Silva: Secretário-geral do Conselho de Detetives Particulares do Estado de SP (CONDESP).
- Guga (Apresentador): Condução do debate na Rede Alesp.
Alesp em Pauta debate a Profissão de Detetive Particular e Crimes CibernéticoPlay
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(0:19) Olá, seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinda. Começa agora mais um Alésp em Pauta e hoje vamos (0:25) tratar da profissão do detetive particular e também dos crimes cibernéticos e para que você tenha também uma noção de diagnosticar quando você pode estar sendo espionado e mostrar um pouco do trabalho desses profissionais.
O Alésp em Pauta de hoje recebe o Edson Feazão, que é especialista em crimes cibernéticos e também detetive particular, e o André Luiz da Silva, que é secretário-geral do Condesp, que é o Conselho de Detetives Particulares do Estado de São Paulo.Sejam muito bem-vindos, muito obrigado por ter aceito o convite da Rede Alésp.
Vamos primeiro começar, e aí acho que o Edson, ele pode começar, e o André complementando, o que faz um detetive particular? O detetive particular é conhecido como um investigador profissional, diferente de outros países que tem um detetive como o investigador da polícia.
Então nós fazemos investigações particulares, nada que se refere a crimes, crimes cívicos, não nos envolvemos com polícia, essa é a realidade.Exato, vocês fazem por iniciativa privada, e aí dentro disso, qual que é a gama de atendimentos que vocês dão, como é que funciona isso? Bom, cada detetive tem a sua especialidade, alguns têm a especialidade de investigação conjugal, outros empresarial.
Tem detetive que atende todos os tipos de casos, a minha no caso, são crimes cibernéticos. Faço investigação conjugal? Faço conjugal, traição, que é o carro-chefe, o que mais aparece hoje em dia.A gente falou de algumas dessas demandas, mas vamos falar da classe no Estado de São Paulo, quantos são, como é que funciona essa demanda e esse trabalho?
Primeiro, uma satisfação enorme poder participar aqui da TV Alesp, ao lado do meu colega Edson Frazão. Bom, se me permite, detetive particular, um profissional demandado por pessoas físicas e jurídicas, que vai fazer um trabalho de investigação para questões, a maioria foram íntimas, questão de infidelidade conjugal.
Eu acho que, na minha experiência, que observa 32 anos do mercado, é a maior demanda dos detetives e há também, como Edson colocou, os profissionais que se especializam, por exemplo, em trabalhos de maior complexidade, em um segmento empresarial, planejamento estratégico de risco, no complice, enfim, em ação, coleta de prova para ações defensivas, questões trabalhistas, civil, é isso aí.
Com relação à classe, o que você me perguntou, indo direto aí, a profissão tem várias entidades associativas de representação da categoria, o CONDESP, do qual nós, eu e Edson fazemos parte, é o Conselho dos Detetives Particulares do Estado de São Paulo, que tem como missão a defesa dos interesses socioeconômicos da categoria e, principalmente, o aperfeiçoamento da norma de regência da profissão, a Lei 13.432, de 2017 e, hoje, com quatro projetos em tramitação na Câmara dos Deputados, buscando, de alguma maneira, esses projetos, o aperfeiçoamento dessa norma de regência.
(3:49) É importante, né, a regulamentação e como é que funciona, e aí, tanto o André quanto o Edson, eles podem falar, o trabalho do detetive. A partir do momento que você é contratado, como é que você faz, entendeu, para a coleta de provas e como é que funciona, né, o trabalho especificamente até a sua conclusão, porque pode, tanto ser muito rápido, como pode demorar bastante, né?
(4:13) A conclusão dos trabalhos, né, na verdade, o cliente, quando ele inicia, solicita uma investigação, quando ele já está numa situação crítica, na situação dele, já está a ponto de explodir, né, ele já está praticamente, já, só falta a prova, só falta a prova para ele ter a certeza, até mesmo para ele mostrar para as pessoas que estão duvidando dele. Então, nós fazemos as provas através de quê?
Geralmente, eu trabalho na companhia de algum advogado, alguma advocacia, através de uma orientação, né, para a gente fazer, trazer o resultado para o cliente, de uma forma que ele possa, futuramente, usar, se for o caso, dependendo do que a gente encontrar em cada situação durante a investigação. Então, são vários casos que a gente inicia aí, para trazer aí o resultado.
(5:11) Agora, vocês trabalham, né, como é que é a regulamentação da profissão? Aonde, qual que é o limite, né, que vocês podem chegar? E aí, eu vou perguntar do André, né, porque pode gerar dúvidas, né, ah, eu estou sendo invadido, como é que é essa investigação e qual que é o limite que vocês podem chegar?
(5:30) Guga, aí é um campo bastante interessante, né, a gente pode ficar aí horas falando, mas sintetizando, né, nosso trabalho dentro do Condesp, que é uma entidade que existe já há 25 anos, inclusive, no ano de 2022, a gente teve a felicidade, né, o Condesp, o Edson esteve presente, outros colegas, a gente foi homenageado aqui na Lespe, por iniciativa do deputado Rafa Zimbaldi, com o diploma de honral mérito, em uma sessão solene, onde a gente, inclusive, também falou um pouco dessa norma.
As proibições, os direitos, os deveres dos detetives estão elencados na norma de reconhecimento, no artigo 10, 11 e 12 dessa lei, e o problema da atuação. O artigo 6 dessa lei pauta que o detetive, dentre outros aspectos, tem que atuar dentro da legalidade, só que na realidade de mercado, infelizmente, a produção, ela vem de uma cultura de formação via cursos livres e profissionalizados, que são cursos de livros e ofertas no mercado, que não exigem do interessado, por se tratar de uma educação formal inicial, requisito de idoneidade, por exemplo, e nem de escolaridade.
(6:44) Algumas escolas até fazem esse filtro, mas isso não é uma imposição.Resultado, profissionais do mercado, se a gente pode dizer assim, né, pessoal que está oferecendo serviço, abre o classificado, vai no Google, você vai identificar, escuta de abertura de WhatsApp e outras modalidades de trabalho listo.
(7:03) Se você fizer uma outra pesquisa, se você pegar a Operação Satyagarra, a Operação Durkheim, que envolveu autoridades, negociação com o governo, atuação de detetives particulares, antigamente era o grampo, hoje volta um pouquinho, a coisa modernizou, dados pessoais e dados telemáticos, que é o famoso espião de celular.
Então, você tem bons profissionais que se pautam pela legalidade, reconhecidos no mercado e tem uma quantidade enorme e incalculável de gente que faz essa formação livre e se oferece, se lança no mercado e infelizmente, às vezes, oferecendo serviço à margem da legislação.
(7:40) Como é que a gente faz para diferenciar, para entender, né, como eu estou contratando um serviço que está dentro da legislação, que tem os requisitos e o preparo necessário para essa função tão importante? Bom, para isso, nós estamos em busca de alguém que possa nos… Normatizar?
(8:07) Normatizar, é, corrigir, colocar uma diretriz onde alguém possa falar assim, olha, eu tive um determinado problema com um determinado detetive, entendeu? Estamos em busca do quê? O Condesp é o mais indicado agora no momento, né, para fazer esse tipo de busca. Você quer encontrar um detetive na sua cidade?
Condesp, ali você vai encontrar os detetives que estão registrados, que são selecionados, onde você… eu quero saber onde eu localizo determinado detetive. Lá no Condesp, você tem todos os dados que você pode estar fazendo a busca, saber quem é o detetive que você pode confiar.Vou reclamar de alguém? Onde eu vou reclamar desse detetive?
(8:54) Você contrata um detetive, você não sabe quem é esse cara? No Condesp, você encontra o detetive registrado, né, selecionado, credenciado, entendeu? E a nossa luta é essa, é a credenciamento dos detetives.
(9:08) Importante, né, tudo isso. E na parte corporativa, né, às vezes vocês descobrem feldes, empresas, né, vocês fazem aí a diferença entre, (9:19) às vezes, para a corporação, né, grandes problemas que podem ser acarretados mais à frente.Como é que vocês trabalham nessa situação de assistência corporativa?
(9:29) O Guga, complementando aqui o que o nosso colega Edson colocou, a profissão tem a norma de regência, essa norma começou como projeto em 2011, foi sancionada pelo Michel Temer em abril de 2017, porém o texto da norma ficou vetado, o caráter regulamentador da norma, porque quem olha para a lei 13.0043217 vai se deparar com proibições de direitos e deveres, mas todo regulamento profissional, toda norma que rege uma profissão, jornalista, por exemplo, né, tem lá proibições de direitos e deveres de um órgão irresponsável para o registro.
(10:09) Aproveitando aqui o ambiente, né, o jornalista está sujeito ao registro junto ao Ministério do Trabalho. O que falam hoje, né, o DRT, né, não é nem bem isso o nome técnico, mas ficou, o DRT. O detetive não tem.
A norma está lá, define a profissão, tem proibições de direitos e deveres, obriga a trabalhar contrato e obriga o relatório ao final de serviço, também impõe como fundamento respeitar a lei, a privacidade, a intimidade, a imagem e a boa fama das pessoas, né, vedar, aceitar ou captar serviço que configure a prática de infração penal ou discriminação de qualquer espécie, e, apesar disso, dessas exigências legais, nós não temos um órgão de controle profissional.
Nós temos, como Condesp, outras tantas associações aqui em São Paulo e em outros estados, mas que a maioria delas não trabalham, não atuam diretamente nessa questão do aperfeiçoamento e, infelizmente, vivem.
(11:12) Essas associações, a maioria delas, não faz o trabalho associativo de defesa e representação, são ausentes na discussão em Brasília, na formulação de proposta, como o Condesp tem, e trabalham praticamente vendendo cursos, formando pessoas e é o que eu coloquei, o curso livre, não tem requisito.
(11:31) Acabou sabendo ler e escrever, a pessoa sendo alfabetizada tem condições de fazer e tem escola lá que você entra agora às nove, nove e quinze, e você sai com a carteira do certificado lá. Então, a questão da formação é um pouco banalizada, porém, você tem instituições no ensino livre que fazem um trabalho bacana.
(11:48) Eu vou citar, não tenho parceria, não fiz curso com eles, mas conheci o material. Instituto Padre Reus, uma escola tradicional, tem um reconhecimento, também opera em outros ramos do ensino técnico e também no ensino livre, podemos citar o Padre Reus.
Outra escola, lá no Rio de Janeiro, Instituto Bechara Jalque, eu uso o nome do Bechara, que é um profissional renomado, muito conhecido, já aposentado. O colega Edson tem uma empresa, ele fornece curso profissionalizante, ele tem essa bagagem, então tem essa preocupação de formar, mas não é o Guga, um perfil dos cursos livres. Infelizmente, tem bons cursos, mas a maioria é um comércio certificado e carteira.
(12:33) É importante frisar, Guga, dentro dessa questão da regulamentação, que pode ou não pode, dentro da regulamentação, por conta dos vetos, aposto pelo presidente Michel Temer no texto da lei de 2017, eu citei a lei 3.432, então nós não temos um órgão de controle.
(12:47) Você tem lá a proibição de direitos e deveres, a definição da profissão, mas não tem um órgão que vai exercer o papel de fiscalizar e exigir da parte dos profissionais o cumprimento e a observância daquelas regras. Detetive não pode usar de meios ilícito, tem que manter sigilo das informações.
(13:06) Então, o mercado fica meio desorganizado.E as associações, Guga? Serve para dar essa referência. Aí você tem associações que têm mais profissionais que são simpatizantes da profissão. Por exemplo, associações que têm profissionais que não têm inscrição de autônomo, que não têm uma empresa.Se o cara é profissional, prestador de serviço, ao mínimo ele é registrado na prefeitura.
(13:25) E aquilo que eu falo, você tem, através das associações, onde buscar e chegar. Porque hoje, no meio do mundo digital, você encontra detetives oferecendo serviço e atendimento exclusivamente online.Você não vai ver nem a cara do camarada.
(13:40) A gente aconselha que ele busque um profissional que tenha referência, que tenha, de preferência, um escritório físico. Você faça uma pesquisa em mercado e se oriente por alguma associação que faça esse trabalho. Legal.
Agora é importante a gente salientar também que vocês têm um papel importantíssimo também na localização de pessoas. Porque pessoas desaparecidas aumentam, a gente tem um número muito grande e é uma questão bastante sensível.
(14:07) Porque pessoas desaparecem todo dia, às vezes a segurança pública não consegue localizar dentro das ferramentas que tem. E a família, às vezes, faz opção por contratar um serviço particular de localização para trabalhar junto com as autoridades.
(14:22) Como é que funciona esse trabalho? Bom, o serviço de localização é um dos trabalhos mais chatos de fazer, chatos em um sentido e gostoso em outro. Gratificante também. Gratificante porque, vamos supor, eu tive aí um, vou citar casos para ficar mais bem explicado.
(14:41) Eu tive a situação de um cliente que veio através de uma delegacia. A filha tinha sumido, sumiu, só que ela levou o computador da delegacia e não conseguia abrir aquele computador. Tinha uma senha para você poder entrar.
(15:00) Aí o policial, me conhecendo, falou assim, olha, eu preciso de uma ajuda sua.(15:05) A sua filha sumiu, desapareceu e a gente precisa abrir esse computador. Não sei de que forma a gente vai fazer isso, mas as conversas estão aqui.
(15:16) Se você não fizer isso aí, a gente não tem como fazer essa localização. Preciso saber o que está acontecendo. Se for pedir na justiça, vai demorar muito. Você consegue abrir? E brincando um pouquinho, consegui abrir o computador e estava lá.
(15:31) As localizações, as conversas com quem eu estava e, no final das contas, tinha fugido com o namorado. (15:36) E aí o policial foi lá, fez a busca, encontrou. Esse é um trabalho gratificante que a gente tem. Prazeroso de ajudar a população às vezes.
(15:48) Não foi cobrado nada um tipo de trabalho assim. Foi exatamente gratuito e prazeroso dessa forma. Localização de pessoas. Exato, é importante. E aí eu quero saber também, dentro desse serviço de localização, o que vocês oferecem pra família? Como é a tecnologia que vocês trabalham?
(16:07) É um trabalho, como todos, é a mesma coisa de jornalista. Quanto mais informação você tem, o trabalho vai ter um êxito maior. Seria o caso de vocês também. Quanto mais embasamento vocês têm pra trabalhar, é melhor. Guga, ainda cumprimentando que o nosso colega aqui acabou de colocar, o desaparecimento de uma pessoa, em tese, não é crime. Lendo o contexto, a família vem relatar, saiu, às vezes toma um medicamento.
(16:34) Foi o que explicou, a menina resolveu fugir com o namorado, ela é maior de idade, é legítimo.
Às vezes a polícia não age num primeiro momento, porque aí não se tem, em tese, um crime a investigar. Isso pode acontecer, mas o cliente vem ao escritório, o Guga traz todo o histórico, você vai ver o contexto, o detetive tem que agir com zelo, às vezes a pessoa vem, por exemplo, pra investigar alguém, ele conta uma história, que é a mulher dele, que tem nada a ver com a história, ele às vezes quer usar o trabalho do detetive particular como instrumento de vingança.
Então o detetive tem que ter, e tá na lei, um direcionamento, atuar com zelo.
(17:12) Então ouvir o relato do cliente, tem lá uma técnica de entrevista pra gente tentar pegar se o cliente tá falseando com a verdade. Então você consegue coletar ali, ter um panorama do que tá acontecendo, traçar uma metodologia de trabalho.
(17:27) Você consegue, num primeiro momento, de início, com todas as informações que você colocou, então você pode usar recursos eletrônicos, redes sociais, existem outros meios, outras fontes que o detetive tem como jornalista.
(17:37) Inclusive alguns bons detetives têm informação até com agentes do poder público, pra fazer o melhor da prestação de serviço e buscar trazer pro cliente o resultado, que é a localização, uma satisfação, uma informação, a respeito, no caso, do paradeiro. Nem sempre pra fins criminais.
(17:56) E aliás, a lei de 2017, no seu artigo 5º, em parágrafo 1, que diz que o detetive pode atuar na investigação policial em curso, a pedido da parte interessada, pode ser a vítima, geralmente a vítima, que quer buscar um conjunto probatório diante de uma situação em que ela se vê acusada, a ela se atribui a prática de entese um crime, ou mesmo pela vítima.
(18:23) Mas nesses casos, seja qualquer trabalho de investigação, ainda que de âmbito empresarial, ou que a gente coloca no contexto pessoal, familiar, e se tem uma situação que, em tese, é crime, a nuência da autoridade que pode permitir, ou não, a participação do detetive a qualquer momento. Então, o detetive, hoje, não pode atuar em casos que estejam sendo investigados pela polícia, se não com a nuência da autoridade.
(18:51) Mas, na prática, nem sempre o que está na lei acontece. Agora, você falou importante nesse assunto da investigação criminal. Então, existe uma necessidade que a autoridade policial autorize. E como é que é a receptividade?
(19:06) Geralmente, a autoridade policial vê isso como um fator que possa agregar, ou, de repente, ela pode enxergar que atrapalha a investigação dela. Como é que é, ao geral, você que representa uma entidade, como é que é o cenário geral, hoje, no Estado de São Paulo?
(19:24) Na minha leitura, essa colaboração com a polícia, eu, até pela lei de acesso à informação, consegui informações aqui de São Paulo, faz uns três anos atrás, e não tinha informação. A polícia civil tem um órgão que controla, regula os inquéritos policiais, e essas informações não têm nenhuma autorização concedida.
(19:45) Eu não conheço, nós estamos aí com seis anos da lei, um pouco mais, não conheço nenhum caso.(19:51) O que acontece? Aconteceu um crime. Geralmente, a polícia, em geral, já tem todos os elementos ou indicação, em o fato, a conduta criminosa, mas, às vezes, a polícia tem uma dificuldade, não permite uma conclusão inicial, em muitos casos, de quem seja o autor ou autores.
(20:10) Vai se abrir a investigação, vai se ouvir, para evitar que alguém seja acusado injustamente. Nesse momento, o delegado já tem, com a equipe, toda uma possibilidade de desenvolver, dentro das linhas de investigação, uma linha, especificamente uma linha, que pode tomar outro rumo.
(20:26) Então, atuação detetive, poucos colegas sabem, se a gente for analisar do aspecto técnico, consultando o pessoal técnico na área, é de coletar fontes de informação, trazer alguma informação, algum detalhe, que não é do conhecimento do Estado Polícia.
(20:42) E aí, você vai colaborar. Só que, o delegado vai autorizar isso? Na prática, não é o que se observa.
(20:51) Legal. André, meu caro Edson, nós vamos para um rápido intervalo, nesse Alésp em Pauta, e a gente volta, logo mais, falando mais da profissão do detetive particular, aqui no Estado de São Paulo, uma profissão que vem lutando por regulamentação, e tem aqui, no Parlamento Paulista, o dia estadual do detetive particular, a lei número 17.731, e 24 de julho de 2023, do deputado Rafa Zimbaldi.
(21:22) A gente vai para um rápido intervalo, já já a gente volta com mais Aléspio em Pauta. Até já. Estamos de volta em mais um Alésp em Pauta, hoje, falando da profissão do detetive particular, dia 11 de abril, é o dia do detetive particular, aqui no Estado de São Paulo, lei do deputado Rafa Zimbaldi, do Cidadania, e eu estou aqui com dois convidados especiais, o Edson Feazão e também o André Luiz da Silva, que é do Conselho de Detetives Particulares do Estado de São Paulo.
(22:19) Meu caro André, você tem mais a falar dessa data do dia do detetive, que é dia 11 de abril, né? Como eu disse, Guga, o Condesp, a associação que eu faço parte, procura ser uma referência para a nossa profissão, inclusive no que o Edson colocou anteriormente, de poder indicar a profissionais, afiliação no Condesp exige documentação da empresa, prestador de serviço, idoneidade, enfim.
(22:44) Mas, focada no dia do detetive, a lei 17.631, que foi sancionada no ano passado, em 2023, pelo governador Tarcísio, projetos 181 de 21 do deputado Rafa Zimbaldi, alterou o artigo 1º da lei 9.369 de setembro de 1996.
(23:11) Então, o dia do detetive, isso que eu quero colocar, ele surgiu no parlamento paulista, lei estadual, por uma iniciativa do então deputado Afanásio Jasad, que fez o projeto, o projeto foi aprovado, foi a sanção do governador à época, Mário Covas, mas foi vetado, com um parecer, inclusive, contrário da Secretaria de Segurança Pública, e o deputado Afanásio Jasad, um deputado muito atuante, respeitado, tinha uma boa participação, um deputado reconhecido e conseguiu derrubar o veto.
(23:44) Então, o deputado Rafa, atendendo a solicitação do Condespo, alterou a lei que surgiu em 96, com 26 de julho, na lei do 17.631, passou a ser 11 de abril.
(23:58) Por que 11 de abril? 11 de abril é a data que a gente comemora, toda a categoria celebra, a norma de regência da profissão.
(24:05) E eu só para completar, querendo tirar tempo do meu colega Edson, que vai falar na sequência, 26 de julho, que é a data tradicional, que tem outros estados, é uma lei mais conhecida, digamos assim, porque essa lei surgiu no Rio de Janeiro, através de um deputado carioca, do estado do Rio, o deputado Cláudio Moacir, que foi procurador de estado, prefeito do Macaé, por dois ou três mandatos, deputado estadual no Rio, e levou, quando surgiu essa lei, esparramou para São Paulo e outros estados, 26 de julho, como a data da fundação da primeira associação.
(24:40) A gente olhando historicamente, sem dúvida, a época foi muito importante, mas nada na nossa leitura se sobrepõe como marcante, significativo para a nossa categoria, a norma de regência de 2017, sancionada em 11 de abril de 2017, que então, aqui em São Paulo, passou a ser, nessa alteração que o Rafa propôs, na lei de 96, o dia 11 de abril, como o dia do detetive particular.
(25:08) Importante essas colocações. Agora eu quero saber dos dois, quais os principais desafios que os detetives particulares hoje enfrentam no estado de São Paulo, para se souber exercer a sua profissão e ter êxito aí nas suas investigações. Primeiro, eu deixo o Edson começar.
(25:29) Olha, são grandes os desafios, são grandes os problemas que a gente enfrenta. Muita discriminação ainda existe, por conta de alguns policiais, uns são bons, outros não são.
(25:43) Enfim, a população tem um certo medo de carro parado na rua o tempo todo, quem é que está lá dentro, o que está acontecendo.
(25:52) Então, são vários os problemas que a gente enfrenta no dia a dia da investigação. Mas, no final das contas, acaba sendo prazeroso, porque o resultado sempre é aquela adrenalina gostosa de trabalhar, e o resultado que a gente traz para o cliente é bem satisfatório. Então, a satisfação que nós temos aí da dificuldade são inúmeras, muitos, muitas dificuldades. Importante.
E você, André? Você que vê aí os detetives do Estado inteiro, quais as demandas que vocês acham necessárias nesse momento, para uma melhora, e sempre buscando a regulamentação da profissão?
(26:32) Olha, o que o detetive Edson Frazão colocou é verdade, existe um certo preconceito por parte de alguns setores das polícias, como em geral, embora a própria mídia, os detetives, o exemplo do que acontece hoje aqui na TV Alésp, que nos é aberto esse espaço, aí de décadas, a saudosa Ângela Berekdian e outros profissionais aí, que eu poderia citar outros tantos, que sempre estiveram na grande mídia, falando da profissão, mas a profissão ficou rotulada, a Guga, como o detetive, o especialista em descobrir adultério.
Esse é o rótulo que a nossa profissão carrega, e é um serviço que naturalmente tem sua importância, mexe com intimidade, informações da vida privada da pessoa, então o profissional tem que ter uma responsabilidade naturalmente para conduzir esse trabalho, entregar um resultado para o cliente que quer tirar uma dúvida, como o Edson colocou lá atrás, até tenho certeza, não é preciso uma foto, um registro, que digo, nem sempre vai ser usado para fins de algum contencioso, alguma ação.
(27:36) A maioria dos trabalhos, na minha impressão, é para foro íntimo. Questão privada não vai virar, não vai ser prova para o processo.
(27:44) Mas tem, por outro lado também, a gente tem que dizer, os profissionais que já estão estabelecidos no mercado, já tem empresa há muitos anos, ou que seja autônomo, tem seu escritório, já está, vamos dizer assim, consolidado (27:58) no mercado, ou buscando se firmar, não encontra dificuldade de ser um preconceito (28:02) ou outro, isso na relação interpessoal,
o policial meio que desdenhando a profissão, como eu coloquei, mas tem o detetive, profissional de investigação, como Edson, que tem a especialização em investigação cibernética, você tem profissionais que hoje atuam prestando um suporte para equipes multidisciplinares no âmbito empresarial, no segmento de planejamento estratégico, são empresas especializadas de apoio administrativo, que tem profissional de segurança de trabalho, advogado especialista em tributar, em defesa trabalhista, em auditoria e procedimentos internos para complice,
que, quando a investigação precisa de uma demanda extra parque industrial, que geralmente o complice consegue com uma relação interdepartamental em uma empresa, apurar uma fraude, às vezes até contratar um especialista, se ele não tem na área de TI dele, para buscar uma prova dentro do meio de comunicação de internet, intranet da empresa, e às vezes tem um trabalho de acompanhamento ou uma, digamos, uma diligência que precisa ser feita fora da fábrica,
que às vezes a empresa busca um profissional no mercado e aí vai lá, busca referências da empresa, você acha aí em São Paulo e em outros estados do país, não em grande quantidade, como se pensa, infelizmente, mas bons profissionais que vão dar esse suporte para fazer coleta de informações com conhecimento prático de investigações, com equipes especializadas no monitoramento de pessoas na rua e que tem um embasamento da prática e até da produção de coleta de elementos que poderão servir,
no caso, para a solução administrativa e às vezes ali, numa investigação interna, corporativa, se identifica um crime e a autoridade tem, a empresa tem o dever de, havendo o crime, comunicar às autoridades para que se processe o processo legal e a responsabilização além das obrigações da relação de contrato da CLT.
É importante, né, todas essas colocações. Agora, Edson, nós temos aí alguns equipamentos, né, eu gostaria que você nos mostrasse.
